No mundo da criancice, pétalas de flor viram chuva, poças de água se tornam um rio colorido por onde barcos navegam, galhos se transformam em lápis e desenham fantasias imaginadas. São esses miúdos momentos que representam as brincadeiras cheias de histórias vivenciadas pelos nossas crianças.
Observar de perto esses instantes, acompanhar os voos dessa imaginação tão fértil e rica e interagir com suas invencionices é participar de seu mundo e acompanhar o desabrochar de suas vidas.
E nós adultos: pais, avós e responsáveis por esses pequenos, estamos presentes por inteiro ao longo dessas experiências?
Em um mundo tão apressado, tecnológico e hiperconectado, que vira e mexe fisga nossa atenção, ele assim desse jeito, tem nos atrapalhado.
Nos tempos de hoje, a fome por imagens e produção de conteúdos só aumenta e nos estimula a segurar uma câmera na mão a todo segundo. Não queremos perder aquele sorriso gostoso, a brincadeira inusitada, as peculiaridades da infância, e os registros fotográficos parecem nos garantir isso e testemunhar nossos momentos, quase todos.
Mas será que guardá-los na memória também não é especial?
Nossos pequenos merecem nossos ouvidos atentos, nossos braços e mãos livres para abraçá-los e nossos olhares interessados nas suas histórias.
Será que as imagens representadas não valem tanto quanto as memórias e experiências vividas?
Não podemos negar que as tecnologias vieram para contribuir enormemente com o mundo, mas fazer o bom uso delas é a nossa responsabilidade. Usá-las como instrumento para nos aproximarmos de quem está longe é um grande exemplo de suas qualidades, mas nos afastar de quem está ao nosso lado não parece uma boa ideia.
O segredo talvez seja resgatarmos uma parte do passado – quando câmeras garantiam apenas 12 fotos que se tornaram inesquecíveis – e trazermos essa ideia para nossos momentos.
Afinal como disse Ansel Adams “não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos e as pessoas que amamos.”
Então, que tal olharmos com e além das lentes?