Paisagens da infância: o desenvolvimento sustentável da cultura infantil
Por que elegemos o tema do desenvolvimento sustentável da cultura infantil? Primeiramente por acreditarmos na determinação de intervir, tendo como base as experiências junto às crianças; por reconhecermos na temática, pleno sentido, para compor os trabalhos curriculares e por se tratar de assunto mobilizador da cultura adulta.
Ocupamos lugar privilegiado no debate e juntos, trabalharemos conceitos amplos e complexos, tendo como desafio a materialização dos mesmos junto as crianças.
Destacamos o brincar e o jogar como ferramentas intelectuais que promovem o desenvolvimento infantil; que propiciam o contato e o confronto com crianças de variadas origens sócio-culturais, etnias, costumes, hábitos, valores etc, fazendo desta diversidade campo privilegiado da vida educativa.
Neste contexto, temos por objetivos a valorização e a sustentabilidade da cultura infantil através da promoção da prática de brinquedos, jogos e festejos etnológicos como as festas carnavalescas, as de São João, entre outras, dignas de serem incorporadas ao patrimônio.
Sob as abordagens da Sociologia da Infância consideramos centralmente as crianças como sujeitos culturais. Como seres que não só aprendem e consomem a cultura do seu tempo, como também produzem cultura, seja cultura infantil de sua classe, seja reconstruindo a cultura à qual tem acesso. Sendo assim, destacamos arte e vida, descoberta e realização, manifestações populares e erudição como conteúdos a serem investigados com as crianças.
Estudos sobre a infância, como aquela que interroga a pedagogia revelam a importância de tratar a idade da “não-fala” como o tempo de vida de sujeitos que são parte de uma sociedade e nela se inserem desde sua condição de classe, etnia, gênero etc. A infância que conduzimos não é nenhuma categoria natural, mas uma imagem projetada, um projeto profundamente enraizado em idéias e sonhos, em deveres e valores.
Pensarmos as práticas curriculares a partir de significados culturais implica transcender a esfera da imediaticidade. Mais especificamente, preencher de significado as práticas escolares é considerar o espaço escolar como lugar de formação, tempo de vida, dotado de sentido e com possibilidades de domínio das diversas prioridades humanas na organização do futuro.
Referência bibliográfica:
ARROYO, Miguel Gonzalez. A infância interroga a pedagogia. Transcrição de parte da palestra do dia 26/11/2007. III Semana pedagógica de Maricá.
BRASIL, Ministério da Educação. Referencial Curricular Nacional de Educação Infantil. MEC: Brasília, 1998.
COSTA, Lucimeire. Mário de Andrade, educação infantil e projetos culturais. In: Curriculistas como dirigentes políticos. Coleção Currículo. Organizadora: Xavier, Gelta RJ: Enelivros editora, 2007.
DELGADO, Ana Cristina Coll e MÜLLER, FERNANDA. Sociologia da infância: Pesquisas com crianças. In: Revista Educação e Sociedade, v.26,n.91. Campinas, CEDES,2005.
ENGLETON,Terry. A idéia de cultura. Tradução: Sandra Castello Branco. São Paulo: Editora UNESP,2005.
GEERTZ, Clifford. Conocimiento Local. Ensayos sobre La interpretación de las culturas. Barcelona: Paidós, 1994.
OLIVEIRA, Geórgia e XAVIER, Gelta. Infância, cultura e currículo: interpretando significados e revelando sentidos. In: Caderno de apresentação, NUPEC, Faculdade de Educação UFF, 2007.
SILVA, Carla Andrea Lima da. Saberes e fazeres das crianças: manifestações das culturas infantis em situação dirigidas pela professora. Dissertação (Mestrado em Educação) Rio de Janeiro: UFRJ/Faculdade de Educação, 2007.
_____ Manifestações das culturas da infância na sala de aula da educação infantil. In: Revista Curriculistas, 1, NUPEC, Faculdade de Educação UFF, fevereiro de 2008.