Quantas vezes nos pegamos dando respostas automáticas para os tantos de porquês que aparecem ao longo das conversas com as nossas crianças? Ou as vezes que dizemos não a elas, sem ao menos darmos uma explicação. Será isso reflexo da vida apressada e atarefada dos adultos?
Saber escutar a criança é uma atitude sensível que requer muito cuidado e atenção, por isso é fundamental que se compreenda a sua importância e a coloque em prática.
Escutar a criança é ao mesmo tempo reconhecê-la na sua individualidade, é observar suas formas de expressão, seus gestos e movimentos, entendendo realmente o que querem dizer. A disponibilidade para ouvi-las é essencial nesse processo, acolher sem a intenção de corrigir ou ensinar algo. É dar a devida importância a essa ação sem confundi-la com permissividade ou falta de limites.
Então, como praticá-la de fato?
Dar voz, perceber, observar, considerar, valorizar, todas essas ações envolvem o processo de escuta. Mas antes, é preciso identificá-la como indivíduo pleno, capaz e cheio de potência. Afinal, a criança se comunica por meio de suas brincadeiras, balbucios, resmungos, agressividades e até silêncios e notá-los é um bom caminho para estabelecer este contato.
É conseguir se colocar no lugar delas, exercendo o contato ativo, empático e afetuoso. Conversar na sua altura, se aproximar de seu universo, das suas perspectivas, embarcar nas suas descobertas e fantasias.
Fazer combinados, abrir brechas de comunicação para estar juntos, responder às suas perguntas com verdades e exemplos. Dar justificativas e respeitar os seus desejos são formas de escutá-las.
Talvez o segredo seja largar os papéis antigos designados aos adultos e assumir que temos um tanto de coisas a aprender com as nossas crianças.
Precisamos ouvi-las! E, é assim que fazemos na Escola Favinho.